Rai Lispector

Rai Lispector
Sim, a gente mente! #RaiLispector
junho 23, 2017
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A gente mente que estava no banho quando o telefone tocou, mente que pegou no sono por isso não respondeu, mente que foi numa festa que nunca foi, mente que esqueceu a ex. Mente que “não foi eu, foi meu irmão”, mente que tá tudo bem quando tá tudo uma merda e mente quando diz que desculpou o que ainda tá doendo.
Uma mentirinha aqui, outra ali, o caso é que ninguém passa batido, nunca. Mas o que mais me assusta é saber que entre aqueles que mentem, existe uma subcategoria mais perigosa: OS QUE GOSTAM DE MENTIR!
Talvez pelas confusas sensações de superioridade, poder e sagacidade. Sei lá! Só sei que me assusta imaginar que alguém coloca a mentira como sua primeira opção, e que há um prazer nisso.
Sem nenhum embasamento teórico, arrisco a dizer que isso é uma patologia. Então vou deixar o contato da Vanessa Monteiro aqui no final desse texto, uma psicóloga muito competente que me acompanhou durante um bom tempo, trazendo-me resultados maravilhosos.
Se você é do time que conta mentirinhas casuais, tamo junto 🙄. Não me orgulho disso, mas prometo mudar (mentira!)!
Pensei em um outro final pra esse texto, mas Jorge Ben Jor entrou na minha cabeça cantarolando que “se malandro soubesse o quanto é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”.
Malandramente, eu vou seguir esse conselho.

 

Rai Lispector
Sua vida não é um livro aberto!
junho 14, 2017
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Em junho de 2011 eu fui aprovada em 7º lugar para Engenharia de Alimentos na UFRRJ. Era um sonho antigo passar para uma instituição federal e tudo na minha vida conspirava para que eu me jogasse naquele momento. Mudei de cidade, de estado civil, abandonei a faculdade que cursava como bolsista e fui. Nossa, QUE IRADO! Vou ser muito feliz lá, já moro sozinha há um tempo, vou tirar de letra, vou fazer amigos descolados e me formar! O que pode ser mais perfeito?!

Mas a vida não é um episódio de Malhação com o Chorão cantando na abertura. Os meses foram passando e eu não conseguia trabalho na região e nem uma bolsa de apoio financeiro dessas que a faculdade oferecia. Eu não conseguia me adaptar àquela cidade pequena e aquela rotina de estudante, e isso refletia diretamente nas notas das disciplinas e eu não entendia o porquê, já que sempre fui estudiosa e dedicada. Assim, o semestre acabou, junto com a minha esperança.

Era triste demais admitir que não tinha dado certo, que eu precisaria voltar à cidade que eu morava e começar de novo. Mas isso foi tranquilo, eu não tenho compromisso com o erro.  O que mais me doía era ouvir a mesma pergunta de 99% das pessoas que me conheciam: UÉ, VOCÊ NÃO TINHA IDO ESTUDAR NA RURAL?!
Cada vez que eu ouvia isso, uma parte do meu coração caía na sarjeta e a Comlurb levava pro lixão. Eu me sentia na obrigação de explicar pra todo mundo (quem de fato se importava ou quem era só curioso) o que tinha acontecido, que eu tinha tentado, que eu não era uma frouxa…”por favor acredite em mim, eu tentei muito.”

Comecei a evitar lugares e pessoas que pudessem me perguntar qualquer coisa a respeito. Porque doía, de verdade.
Até que um dia, encontrei uma conhecida que perguntou sobre qual faculdade eu fazia, então eu respondi que não gostaria de falar sobre o assunto e expliquei o quanto me sentia mal em ter que explicar aquilo a todo momento. Ela carinhosamente me disse uma coisa linda que me fez viver com muito mais leveza: ” Raísa, você não precisa explicar nada pra ninguém, SUA VIDA NÃO É UM LIVRO ABERTO! “

Porraaaaa mano, como eu não tinha sentido isso?! Eu não tinha que dar explicações sobre as minhas escolhas, elas eram MINHAS e isso já explicava tudo! Dali em diante a minha resposta era: ” É, eu estudava lá, mas não estudo mais! “
Eu podia estar triste com a situação, mas respondia sempre com força e um sorriso. O assunto morria ali. Afinal, minha vida não era um livro aberto.

Desejo que você feche seu livro, guarde sua história e leia somente quando estiver (e para quem estiver) de coração aberto!

Rai