Rai Lispector

Se você pensa que só vai pagar pelos seus vacilos depois que morrer, mano eu tenho péssimas notícias pra você . A frase de para-choque de caminhão mais certa que já vi na minha vida é: AQUI SE FAZ, AQUI SE PAGA!
Eu tenho 27 anos e não precisei de mais que isso pra receber de volta (com juros beeem alto) boa parte das vezes que fui escrota na minha vida.

  • Você foi aquele jovem que sentava no banco preferencial do busão e fingia estar dormindo quando um idoso ou grávida entrava? Aguarda amigo, sua hora vai chegar.
  • Você foi aquela amiguinho sem noção, que não respeitava a presença do namorado da sua amiga com a desculpa de “sou amigo dela antes de você”? Então, o mundo gira e em breve você vai deixar de “ser” o amiguinho” pra “ter” um amiguinho.
  • Se você foi aquela filha sem consideração, que saía sem dar explicação ou dizer onde estava deixando seus pais preocupados durante a noite. Só questão de tempo pra você passar pela mesma coisa.
  • Você foi aquela ex-nora que vivia enfiada na casa do ex com o argumento, ainda que verdadeiro, de “sou amiga da família”? Aguarde, a vida vai te trazer uma ex sentada no sofá da sala numa tarde de domingo, e aí depois você me conta como se sentiu.
  • Se você foi aquele cara espertão que conseguiu “dá uma volta” no balconista da farmácia quando ele te deu 10,00 a mais de troco. Se prepara porque a vida vai tirar esses 10,00 da sua carteira! E talvez sejam aqueles últimos 10,00 que estavam resistindo ao final de mês.

Esses foram alguns exemplos hipotéticos para que possamos nos lembrar que a vida consegue ser incrivelmente escrota e incrivelmente justa num curto espaço de tempo e com a mesma facilidade. Acredito que eu tenha descoberto a tempo, a importância da empatia e de não fazer com o coleguinha aquela porra que me machuca. Se eu tô conseguindo eu não sei, mas tô tentando. Tem gente que nem isso faz.
Desejo que você tente, e não se esqueça: a vida devolve!

Beijo,

Rai!

A vida devolve!

Raramente conto para as pessoas a minha trajetória de sair de uma cidade pequena (Angra) com 17 anos e vir morar numa cidade grande (Rio de Janeiro). Só as pessoas que me conhecem a mais tempo, me acompanham regularmente sabem sobre isso. Não curto falar porque tenho a impressão de que estou caçando elogios e frases de espanto, do tipo “noossa, você é uma guerreira hein!”, coisa que já ouvi algumas vezes e gostava porque massageava meu ego😎#sincerona 


Com o passar do tempo fui ficando cada vez mais intrigada. Gente, mas que porra de espanto é esse que as pessoas veêm quando conto isso? Eu não fiz nada demais, só escolhi um caminho que achava certo e segui. Arquei com o ônus e o bônus daquela escolha, entendi que o começo seria complicado e fui. Era minha obrigação buscar o que me fazia feliz!
Você não curou nenhum câncer, você só assumiu a responsabilidade por uma vida que é sua. Acho (puro achismo) que esse espanto acontece quando somos educados, principalmente na h
ora de precisar do outro. Porque pai e mãe “tem-que-fazer” de tudo por nós e precisamos escutar do amor da nossa vida “vou te fazer feliz”. Não, péra, não por favor! Lembrei de uma música do Charlie Bronw Jr (que saudade do Chorão😖) que dizia: “Eu vi o tempo passar e pouca coisa mudar, então tomei um caminho diferente!”

O caminho diferente é seu, quem vai chorar pela estrada é você, quem vai dormir na calçada é você e quem vai chegar feliz no destino também é você. Se você puder contar com pessoas generosas que façam sua viagem mais leve e te paguem um café será ótimo, mas não planeje sua partida contando com eles.

Nesse ônibus só tem passagem pra 1!

VOCÊ É UMA GUERREIRA?
Rai Lispector
Alisada sim senhor!
julho 6, 2017
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Alisada sim senhor!

Eu fui aquela clássica criança de cabelo bem cacheado e volumoso que escutava piadinha na escola. Às vezes rolava uns piolhinhos de bônus também 😅, aí você sabe né, criança não perdoa. E não se engane, adultos também não perdoam. Perdi as contas do quanto escutei coisas do tipo: “nossa ela é tão branquinha, não era para ter esse cabelo tão duro, é uma russinha sarará”🙄. Era unânime, precisava alisar ou pelo menos “dar uma abaixadinha”.
Bem, acreditei tanto naquilo que no início da adolescência já estava abusando daqueles creminhos fedidos que não fazia ideia do que havia na composição. Depois chegaram as progressivas “SEUS-PROBLEMAS-ACABARAM”, ou não! A minha primeira experiência com formol foi literalmente dolorida, ardência no couro cabeludo, olhos vermelhos e inchados e muita frustração. Será mesmo que eu estava fadada a viver infeliz com meu cabelo?!
O tempo passou, os métodos profissionais evoluíram e os produtos também, mas o que mudou com significativa importância foi a aceitação da nossa beleza. JOGA ESSES CACHOS PARA O MUNDO❤️! Coisa mais linda é ver esse tanto de mulher maravilhosa, que assumiu os cachinhos, cachão, crespinho, crespão e foram felizes para sempre. E como todos nós somos feitos de escolhas, eu me tornei uma mulher adulta, livre e pronta para escolher o melhor para mim, e por isso EU DECIDI continuar alisando meu cabelo, e a diferença está nas duas palavras em caixa alta. Me sinto representada e feliz assim, conheci profissionais que tratam o alisamento de forma responsável e aprendi a cuidar do meu cabelo da forma correta, para que ele esteja sempre saudável.
E eu que cresci ouvindo que “tinha que alisar”, hoje escuto que “tenho que cachear” e que “estou negando minhas origens”😒. Porém, minha bagagem, que está razoavelmente carregada pela experiência da vida, permite que eu e somente EU, escolha minha melhor versão.
Permaneço aqui alisada e certa de que carrego no meu coração uma ancestralidade de luta e os valores que minha família me passou. Quero morrer acreditando que o que carrego dentro do coração é mais importante do que o jeito que uso meu cabelo. Eu creio!
Mana, e se amanhã eu acordar decidida a deixar o alisamento de lado e assumir meus cachos, como vai ser? Vai ser lindo! Porque afinal, a gente não tem compromisso com o padrão, a gente tem compromisso em ser feliz.😁

Rai Lispector
Sim, a gente mente! #RaiLispector
junho 23, 2017
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A gente mente que estava no banho quando o telefone tocou, mente que pegou no sono por isso não respondeu, mente que foi numa festa que nunca foi, mente que esqueceu a ex. Mente que “não foi eu, foi meu irmão”, mente que tá tudo bem quando tá tudo uma merda e mente quando diz que desculpou o que ainda tá doendo.
Uma mentirinha aqui, outra ali, o caso é que ninguém passa batido, nunca. Mas o que mais me assusta é saber que entre aqueles que mentem, existe uma subcategoria mais perigosa: OS QUE GOSTAM DE MENTIR!
Talvez pelas confusas sensações de superioridade, poder e sagacidade. Sei lá! Só sei que me assusta imaginar que alguém coloca a mentira como sua primeira opção, e que há um prazer nisso.
Sem nenhum embasamento teórico, arrisco a dizer que isso é uma patologia. Então vou deixar o contato da Vanessa Monteiro aqui no final desse texto, uma psicóloga muito competente que me acompanhou durante um bom tempo, trazendo-me resultados maravilhosos.
Se você é do time que conta mentirinhas casuais, tamo junto 🙄. Não me orgulho disso, mas prometo mudar (mentira!)!
Pensei em um outro final pra esse texto, mas Jorge Ben Jor entrou na minha cabeça cantarolando que “se malandro soubesse o quanto é bom ser honesto, seria honesto só por malandragem”.
Malandramente, eu vou seguir esse conselho.

 

Rai Lispector
Sua vida não é um livro aberto!
junho 14, 2017
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Em junho de 2011 eu fui aprovada em 7º lugar para Engenharia de Alimentos na UFRRJ. Era um sonho antigo passar para uma instituição federal e tudo na minha vida conspirava para que eu me jogasse naquele momento. Mudei de cidade, de estado civil, abandonei a faculdade que cursava como bolsista e fui. Nossa, QUE IRADO! Vou ser muito feliz lá, já moro sozinha há um tempo, vou tirar de letra, vou fazer amigos descolados e me formar! O que pode ser mais perfeito?!

Mas a vida não é um episódio de Malhação com o Chorão cantando na abertura. Os meses foram passando e eu não conseguia trabalho na região e nem uma bolsa de apoio financeiro dessas que a faculdade oferecia. Eu não conseguia me adaptar àquela cidade pequena e aquela rotina de estudante, e isso refletia diretamente nas notas das disciplinas e eu não entendia o porquê, já que sempre fui estudiosa e dedicada. Assim, o semestre acabou, junto com a minha esperança.

Era triste demais admitir que não tinha dado certo, que eu precisaria voltar à cidade que eu morava e começar de novo. Mas isso foi tranquilo, eu não tenho compromisso com o erro.  O que mais me doía era ouvir a mesma pergunta de 99% das pessoas que me conheciam: UÉ, VOCÊ NÃO TINHA IDO ESTUDAR NA RURAL?!
Cada vez que eu ouvia isso, uma parte do meu coração caía na sarjeta e a Comlurb levava pro lixão. Eu me sentia na obrigação de explicar pra todo mundo (quem de fato se importava ou quem era só curioso) o que tinha acontecido, que eu tinha tentado, que eu não era uma frouxa…”por favor acredite em mim, eu tentei muito.”

Comecei a evitar lugares e pessoas que pudessem me perguntar qualquer coisa a respeito. Porque doía, de verdade.
Até que um dia, encontrei uma conhecida que perguntou sobre qual faculdade eu fazia, então eu respondi que não gostaria de falar sobre o assunto e expliquei o quanto me sentia mal em ter que explicar aquilo a todo momento. Ela carinhosamente me disse uma coisa linda que me fez viver com muito mais leveza: ” Raísa, você não precisa explicar nada pra ninguém, SUA VIDA NÃO É UM LIVRO ABERTO! “

Porraaaaa mano, como eu não tinha sentido isso?! Eu não tinha que dar explicações sobre as minhas escolhas, elas eram MINHAS e isso já explicava tudo! Dali em diante a minha resposta era: ” É, eu estudava lá, mas não estudo mais! “
Eu podia estar triste com a situação, mas respondia sempre com força e um sorriso. O assunto morria ali. Afinal, minha vida não era um livro aberto.

Desejo que você feche seu livro, guarde sua história e leia somente quando estiver (e para quem estiver) de coração aberto!

Rai